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Educação

Educação tradicional ou alternativa: qual caminho seguir?

Universidade tradicional ou cursos online e faculdades corporativas? Conversamos com Gustavo Caetano, fundador da Sambatech, para saber como ele se mantém sempre atualizado

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Por muito tempo, o caminho esperado para a educação profissional era sair do Ensino Médio e ingressar em uma faculdade. No entanto, seja pela dificuldade de escolher uma profissão para a vida toda ou por empresas renomadas (como Google e Apple) deixarem de exigir um diploma, esse caminho está mudando.

Universidades e instituições de ensino alternativas estão surgindo, bem como startups que permitem que você aprenda através da internet – a exemplo da Udemy, Udacity e Descomplica. Universidades corporativas, criadas pelas próprias empresas (como da Creditas e EY), também estão se tornando uma tendência. Elas não necessariamente ensinam conteúdos teóricos, mas também habilidades comportamentais, como liderança, a melhor forma de dar feedbacks, entre outros.

Para Gustavo Caetano, fundador da Sambatech, startup especializada em vídeos, apostar em uma educação alternativa é uma das melhores formas de se diferenciar de outras pessoas. “A minha maior indicação é: busque conhecimento o tempo inteiro, mas não em lugares tradicionais ou que só fala sobre sua indústria ou negócio”, afirma em entrevista à StartSe.

O empreendedor defende a educação em universidades quando “elas são de ponta e podem oferecer algo relevante”. Ele começou sua trajetória profissional ao ingressar na ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), no Rio de Janeiro. Na época, como a maioria dos jovens, ele olhou a avaliação do curso desejado em um guia especializado e optou pela instituição.

“Hoje em dia, o problema é que o conhecimento é muito mais rápido do que a academia consegue acompanhar. Possivelmente, a pessoa que se forma em marketing hoje não terá todo o conhecimento de marketing digital que é necessário para atuar em uma empresa ou montar o próprio negócio. É diferente do conhecimento que poderia ter em cursos muito focados”, explica.

Depois de cursar marketing, Caetano criou a Samba Mobile – o embrião do que seria a Sambatech hoje. Na época, a startup fornecia jogos para celulares, quando esse mercado estava começando a ser criado no Brasil. O empreendedor não optou por seguir com uma pós-graduação ou MBA, mas por buscar a formação que faltava para seu negócio.

“Eu era formado em marketing e estava montando uma empresa de tecnologia, então fui para o MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos Estados Unidos) para fazer um curso de inovação em produtos de tecnologia”, conta. Em 2007, seu objetivo era aprender sobre nuvem, o que acabou se tornando um produto oferecido pela própria empresa de Caetano hoje. A Sambatech possui hospedagem, distribuição de vídeo-aulas para EAD, além de plataforma para venda de cursos online.

Formação na Disney

A opção pela educação alternativa continuou em sua trajetória. O empreendedor fez um curso de uma semana na Disney Institute, universidade corporativa da Disney. “Um dos investidores da minha empresa foi presidente da Disney no Brasil por 10 anos e ele falou: você tem que olhar a Disney por dentro, porque lá é uma empresa de inovação, mesmo tendo mais de 100 anos”, disse Caetano.

A Disney Institute também é sediada em Orlando e possui cursos de encantamento e atendimento ao cliente, criatividade, entre outros. “Há momentos em que é preciso criar um show novo para um parque específico da Disney em 15 dias, um mês, e os funcionários têm dois, três dias para montar o show, treinar o pessoal que vai cantar e dançar. A inovação é forçada, precisa acontecer naquele período”, afirma.

Para Caetano, esse processo ajuda a criar culturas inovadoras, não restrita a colaboradores específicos. “Não adianta ter uma pessoa criativa e inovadora dentro do escritório se, quando ela não está ali, ninguém pensa”.

Além da Disney, o empreendedor estudou também na Singularity University, universidade localizada dentro da NASA e que está abrindo um campus em São Paulo. Ainda neste ano, ele planeja fazer um curso na INSEAD, Instituto Europeu de Administração de Empresas localizado na França.

Opte pela educação tradicional ou alternativa, não há caminho certo ou errado. Contudo, não há como negar que existem cada vez mais alternativas. E, seja nas faculdades tradicionais, nos cursos online ou universidades corporativas, a educação continuada – ou longlife learning – é uma das maiores apostas para o futuro deste mercado.

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Exigência de curso superior pode estar próxima do fim

Cursos livres e experiência começam a substituir necessidade de faculdade em alguns casos

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A contratação de profissionais com conhecimentos diferenciados, capazes de apoiar as empresas no processo de inserção das novas tecnologias, é uma das consequências da transformação digital pela qual as empresas estão passando atualmente.  Com isso, os empregadores têm enfrentam dificuldades para encontrar candidatos com as competências necessárias, algo que pode impactar diretamente nas metas do negócio. Com tantas mudanças acontecendo, o que também está diferente é a exigência de curso superior, que já vem sendo deixada de lado em alguns casos.

Quem aponta a tendência é a especialista Caroline Cadorin, diretora da empresa de recrutamento Hays. Segundo ela, em muitos casos as empresas já têm valorizado muito mais a experiência em determinada metodologia ou tecnologia do que títulos e cursos universitários. “Já há empresas que abriram mão dessa exigência para determinadas funções e áreas, embora as companhias mais tradicionais ainda tenham essa regra em seus processos seletivos”, conta Caroline.

Nos casos das empresas que ainda não admitem os profissionais que não tenham curso superior, já são identificados alguns impasses: “o gestor fica satisfeito com o candidato, mas a regra da empresa não deixa que ele contrate o profissional. Há um choque de valores”, conta a especialista. O processo de mudança, no entanto, está em curso e é uma tendência. Segundo Caroline, área de tecnologia, por exemplo, deve deixar de listar a formação superior nos currículos no futuro.

“Em muitos casos, profissionais que não possuem curso superior podem estar anos-luz a frente de outros que são formados”, garante. Estes profissionais, além da experiência prática, costumam recorrer a cursos livres de curta duração para adquirir o conhecimento necessário. Este tipo de formação, inclusive, está em linha com todo o processo de transformação pelo qual as empresas passam, já que são cursos pontuais e rápidas que utilizam metodologia digital e ágil.

Necessidade de mudança

A maioria das empresas percebe um impacto significativo da transformação digital em seu negócio, e 70% das empresas estão vendo essa mudança como um desafio. Com isso, os empregadores enfrentam dificuldades para encontrar profissionais com as competências necessárias neste novo momento. A limitação das habilidades da equipe é o motivo principal pelo qual as metas do negócio são atingidas parcialmente ou não são atingidas, segundo a pesquisa “Análise de Tendências & Salários do Brasil 2019”. Para conseguir atrair e reter estes talentos, será preciso flexibilidade das empresas.

A pesquisa identificou que 51% das companhias questionadas não possuem uma política de retenção de talentos, o que as deixa muito vulneráveis a um mercado de trabalho mais fluído e flexível com relação a exigências e políticas. A pesquisa levou em conta mais de 400 empresas e de 2.600 profissionais ao redor do país.

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Universidade americana cria sala de aula imersiva com ambientes virtuais e IA

Em parceria com a IBM Research, o Mandarin Project oferece aulas em um ambiente virtual e interativo com imersão pelas ruas, restaurantes e mercados de Pequim

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Aprender uma nova língua se tornou um processo mais divertido na Rensselaer Polytechnic Institute, universidade com sede em Nova York. Em parceria com a IBM Research, a instituição lançou o Mandarin Project, oferecendo aos alunos aulas de mandarim em um ambiente virtual 360º, com uma imersão pelas ruas, restaurantes e mercados de Pequim.

Durante as aulas, os alunos podem conversar com vendedores, pedir comida e interagir online com chineses. As conversas são feitas em tempo real graças aos diferentes recursos de Inteligência Artificial que entendem e respondem as dúvidas dos alunos. Os microfones usados pelos participantes das aulas são conectados diretamente aos algoritmos de reconhecimento de fala.

Além disso, câmeras espalhadas pelo ambiente rastreiam os movimentos dos alunos. Ao apontar para um objeto, por exemplo, os ajudantes virtuais explicam, em chinês, o que é e qual a função dele. Algumas perguntas — sobre a história de um determinado local ou prato — são respondidas com base em informações da Wikipedia. Durante as aulas, a solução ainda identifica o tom de voz dos alunos, corrigindo pronúncias.

“Na Rensselaer, estamos transformando a educação e redefinindo a compreensão global do que um ambiente de aprendizado pode ser. O pioneirismo no uso de salas de aula imersivas inteligentes é uma parte significativa desse esforço ”, disse Shirley Ann Jackson, presidente da Rensselaer.

Por enquanto, a solução está sendo usada em um curso de seis semanas da universidade. A princípio, metade da aula é realizada no ambiente virtual e a outra metade ainda está na sala tradicional. Porém, pesquisadores planejam expandir a iniciativa para outros cursos no futuro, transformando o aprendizado.

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Qual o papel do professor já que toda Educação está na internet?

Toda informação está na internet enquanto o modelo educacional está 100 anos atrasado: Qual o papel do professor que está dividido entre as tecnologias do futuro e a educação do passado?

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Você que está lendo essa matéria provavelmente já esteve dentro de uma sala de aula.

Vários alunos na posição de aprendizes e um professor na posição de maior fonte de conhecimento disponível.

Não é preciso ir muito longe para descobrir que esse modelo tradicional, que dura há mais de 100 anos, já chegou no seu limite. E está mais do que desatualizado.

E o professor deixou de ser a principal fonte de conhecimento desde 1998, quando o Google foi criado.

As informações que antes estavam nas bibliotecas e nos livros, hoje estão acontecendo em tempo real na internet.

Se alguém quer aprender sobre foguetes espaciais, pode assistir no YouTube uma aula sobre o assunto, com um especialista em Física ou da própria NASA.

Quer aprender mais sobre matemática, poderá assistir aulas com os maiores matemáticos do mundo.

Tudo isso gratuitamente, online, sempre e de onde quiser.

Qual o novo papel que as instituições e os professores devem adotar diante da abundância de informações na internet?

O papel do professor não está mais em ensinar o que o aluno vai a aprender. Ele pode fazer isso por outros canais.

O professor hoje precisa ser a ponte que vai ensinar novas formas do aluno aprender.

É isso que vai fazer com que ele continue aprendendo e reaprendendo mesmo que a tecnologia, as novas descobertas e até mesmo o fim e o nascimento de indústrias aconteçam.

Empresas como Google e Apple já entenderam isso. E não exigem mais diploma dos seus novos colaboradores.

Para 2 das empresas mais valiosas do mundo, não faz sentido exigirem um conhecimento que não faz mais parte do dia a dia das empresas. Nem habilidades que podem cair em desuso quando uma nova tecnologia existir.

As empresas estão dando seu próprio jeito de terem colaboradores internos preparados para o futuro do trabalho e da tecnologia.

E as escolas e universidades?

O professor, pensador e um dos pais da administração moderna, Peter Drucker falou no início dos anos 90 que:

“Daqui a 30 anos, os grandes campus universitários serão relíquias. As universidades não vão sobreviver.”

E quanto enxergamos a distância que as escolas estão do mundo real e até mesmo da internet, vemos que ele, no fundo, tinha toda razão.

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